Académico de Viseu cai da Taça de Portugal após 120 minutos de superioridade e decisão dramática nos penáltis
O Académico de Viseu foi eliminado da Taça de Portugal no desempate por grandes penalidades, depois de um jogo onde foi claramente superior durante os 120 minutos, mas incapaz de transformar a ascensão contínua em golos. A eficácia ou a falta dela acabou por ser o elemento decisivo. O AFS, mais pragmático no momento decisivo, converteu sete penáltis contra seis dos viseenses e segue em frente na prova.
A postura do Académico ficou clara desde o primeiro minuto. Pressão alta, circulação rápida e clara intenção de ferir a baliza adversária. Aos nove minutos, chegou o primeiro aviso sério, com André Clóvis a rematar às malhas laterais após ser servido por João Guilherme. Era o prenúncio de uma tendência que marcaria toda a primeira parte.
Com quinze minutos jogados, o ascendente pertenceu totalmente ao conjunto de Viseu. O AFS tentava sair em profundidade, mas raramente encontrou forma de incomodar a linha defensiva viseense. Apenas aos 19 minutos apareceu o primeiro remate enquadrado dos minhotos, por Babatund, mas sem criar dificuldades.
Os melhores momentos chegaram entre os 23 e os 30 minutos. Primeiro, duas defesas de enorme qualidade do guarda-redes do AFS travaram remates de André Clóvis e Karhaman. Depois, Bruno Brígido respondeu com segurança a um remate rasteiro de Gohi, adiando o golo que o domínio viseense justificava.
Até ao intervalo, o Académico foi extraordinariamente superior: mais bola, mais chances, mais verticalidade. Faltou apenas o golo que traduzisse o que se via em campo.
Segunda parte com maior equilíbrio e um AFS mais atrevido
O reinício trouxe uma alteração no Académico, com a entrada de Paulo Vítor. Mas foi o AFS que começou mais perigoso, criando a primeira grande oportunidade com Nené a atirar à barra aos 47 minutos, na sequência de um livre. Este momento acordou a equipa minhota, que passou a libertar-se mais ofensivamente.
Ainda assim, o Académico voltou rapidamente a assumir iniciativa, aproximando-se com constância da baliza de João Gonçalves. Mesmo com maior equilíbrio, Nené continuou a ser o jogador mais influente do AFS, obrigando Brígido a uma intervenção decisiva em cima da linha.
A resposta viseense manteve-se forte, com várias transições que criaram perigo real, mas novamente sem eficácia. Sérgio Fonseca mexeu na equipa, refrescando o ataque e o meio-campo, mas o nulo teimou em permanecer.
Prolongamento e a ocasião que poderia ter resolvido tudo
O prolongamento abriu espaço para maior desgaste e mais erros, mas também para oportunidades claras. A mais flagrante surgiu aos 103 minutos, numa arrancada de André Clóvis que deixou a defensiva contrária em apuros. O avançado serviu Samba Koné, que, com tudo para marcar, falhou de forma incrível aquele que seria o golo da eliminatória. O Académico terminou o prolongamento como tinha terminado os 90 minutos, por cima do jogo, a criar mais e a sofrer menos. Mas novamente sem capacidade de concretizar.
A lotaria que castigou quem mais procurou ganhar
No desempate por grandes penalidades, a história foi diferente. O AFS revelou frieza, confiança e eficácia. O Académico, depois de converter seis penáltis, viu Igor Milioransa falhar o decisivo. Sete contra seis, num desfecho duro para a equipa que tinha construído, ao longo de duas horas, argumentos suficientes para seguir em frente.
Este é um daqueles jogos que reforça a velha máxima do futebol: superioridade não garante vitória. O Académico de Viseu fez quase tudo bem intensidade, controlo, criação, agressividade ofensiva mas não fez o essencial, marcar. A falta de eficácia no último terço custou caro. Num contexto de Taça, onde o detalhe decide, o Académico pagou a fatura da ineficácia.
O AFS, sem deslumbrar, soube sofrer quando foi preciso e teve maturidade no momento decisivo. A frieza dos seus sete penáltis convertidos não apenas carimbou a passagem, como evidenciou que, neste tipo de duelos, o rendimento mental pode valer mais do que o futebol jogado.
O Académico sai injustamente, mas sai também consciente de que, neste jogo, a justiça raramente conta tanto quanto a bola que entra.
Foto: Ricardo Da Costa/Goal Sports
Artigo: Paula Alexandra Ramos/Goal Sports
Produção: Sulffato
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